
O oncologista Antonio Carlos Buzaid, novo diretor médico-geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, destacou que cerca de 30% dos casos de câncer têm relação com a dieta.Principais pontos da entrevista:1. Prevenção antes do rastreio
Buzaid defende vacinar contra HPV como prioridade. Com a vacina nonovalente, o câncer de colo do útero poderia ser erradicado. Ele sugere que o governo incentive financeiramente adolescentes a se vacinarem, já que tratar é mais caro que prevenir.2. Fatores que aumentam o risco Dieta: ultraprocessados, açúcar refinado e adoçantes prejudicam a microbiota intestinal e enfraquecem o sistema imune. Carnes processadas têm nitritos e nitratos, provavelmente cancerígenos.Fumo: deveria ser eliminado 100%.Álcool: é cancerígeno. Estudos antigos que apontavam benefício foram derrubados. Ele admite consumo muito moderado em ocasiões sociais.Estévia: usa com limite de 10 gotas/dia, pois acima disso pode afetar a microbiota.3. Fatores de proteção Atividade física, sono de qualidade e controle do estresse: melhoram a imunidade via microbiota.Dieta natural: “comer o que Deus fez”. Açúcar livre alimenta bactérias ruins no intestino.4. Acesso a tratamentos no Brasil Rede privada: medicações inovadoras chegam com 6 meses a 1 ano de atraso. Algumas terapias celulares, como TIL para melanoma, não existem aqui e custam US$ 1,1 milhão nos EUA.SUS: não oferece imunoterapia. A apresentadora Ana Maria Braga, paciente de Buzaid, está viva há 5 anos e meio após câncer de pulmão metastático por ter usado quimio + imunoterapia, tratamento indisponível no SUS.Solução: centros de pesquisa e protocolos de estudo dão acesso ao padrão-ouro mundial para quem não tem convênio. Patentes caindo e biossimilares devem reduzir a distância em 10 anos.5. Custo da oncologia
Buzaid afirma que dá pra oferecer tratamento de ponta no convênio com custo controlado. Erro médico sai mais caro que acertar logo de início. O médico deve sempre brigar pelo melhor tratamento para o paciente.







