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Morte de policial militar em apartamento levanta dúvidas; depoimento de socorrista aponta inconsistências.

O depoimento de um dos bombeiros que atendeu a ocorrência trouxe novos questionamentos sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo, no mês passado.
De acordo com o socorrista, alguns detalhes observados no local chamaram a atenção da equipe de resgate. Entre eles, a forma como a arma estava posicionada na mão da policial, algo que ele disse nunca ter visto em situações de suicídio durante seus anos de experiência.
Outros fatores também levantaram dúvidas: o sangue já estava coagulado, o cartucho da munição não foi encontrado e o marido da vítima afirmou que estava tomando banho no momento do disparo, mas foi visto seco e sem sinais de água no local.
A defesa do marido afirma que ele não é investigado e que tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações.
Imagens de câmeras de segurança e áudios obtidos pela TV Globo mostram momentos logo após o ocorrido no prédio onde o casal morava. As gravações incluem ligações feitas para os serviços de emergência e registros do corredor do andar.
Segundo as imagens, o tenente-coronel, marido da vítima, apareceu no corredor às 8h02 falando ao telefone, sem camisa. Poucos minutos depois, às 8h05, ele realizou outra ligação. Já às 8h13, três bombeiros chegaram ao local para prestar atendimento.
Durante o atendimento, o oficial relatou que estava no banho quando ouviu um barulho e, ao sair do chuveiro, encontrou a esposa caída no chão, com ferimento na cabeça.
Áudios gravados no local também indicam que o casal enfrentava crises no relacionamento nos últimos meses, segundo relato dele.
Outro ponto que passou a ser analisado pelos investigadores é o horário do disparo. Uma vizinha afirmou ter ouvido um estampido por volta das 7h28 da manhã, enquanto a primeira ligação do marido pedindo socorro foi feita às 7h57, cerca de meia hora depois.
Policiais que estiveram no apartamento também relataram que o tenente-coronel voltou ao local após um intervalo com forte cheiro de produto químico, e testemunhas disseram que ele entrou novamente no imóvel mesmo após orientações para não fazê-lo.
Peritos apontaram ainda que a cena não foi preservada corretamente, o que dificultou a análise detalhada da dinâmica do disparo e de quem teria efetuado o tiro.
Entre os contatos feitos pelo oficial naquela manhã, um também chamou atenção: a ligação para um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou ao prédio por volta das 9h07 e subiu até o apartamento.
A família da policial questiona as circunstâncias do caso e pede que a morte seja investigada com mais profundidade.